Macaúba

Análise técnica, econômica e ambiental.

Macaúba em Minas Gerais

Relacionamento entre a ocorrência de macaúba no estado de Minas Gerais à atributos climáticos, pedológicos e vegetacionais.

Melhoramento e Diversidade Genética

Variabilidade genética e características morfológicas relacionadas ao crescimento e vigor da macaúba.

28 de fevereiro de 2013

Agricultores cultivam macaúba para a produção de biodiesel em MG

A plantação de macaúba registra crescimento na Zona da Mata, em Minas Gerais. O fruto da palmeira é matéria-prima para diversos subprodutos, principalmente o biodiesel. Uma usina da Europa que se instalou na região deve comprar toda a safra.

A macaúba é uma palmeira nativa do Brasil presente em todo o estado de Minas Gerais. No município de Lima Duarte, na Zona da Mata, é possível encontrá-la no meio do mato, sem adubação e dando frutos. Mas quando bem cuidada, a planta apresenta ótimos resultados.

Em uma das propriedades da região, a plantação de macaúba conta com quase seis mil mudas em dois hectares. Boa parte das plantas foi doada pelo Projeto Pró-Macaúba, uma iniciativa do governo estadual para incentivar a produção de biodiesel na região.

O gerente da fazenda Ângelo Carvalho planeja utilizar a área de 50 hectares para o cultivo da palmeira. O clima e o solo favorecem o cultivo. O gasto com a adubação é pequeno.

A palmeira ocupa mais de 500 hectares de outra propriedade da região. O coco da macaúba, também conhecido como dendê mineiro, é o produto economicamente mais representativo da palmeira. O óleo transformado em biodiesel é extraído da polpa do coco da macaúba. O fruto passa por um processo de esmagamento. Em cada mil quilos de fruto, a produção é de 182 quilos de óleo de polpa para o biodiesel.

Toda a produção dos agricultores será vendida para uma indústria da Europa que está se instalando na região. O contrato será de 20 anos. Um hectare de macaúba pode produzir cerca de quatro toneladas de óleo para combustível, além de produtos derivados como carvão, sabão e ração animal.

Fonte: g1.globo.com

27 de fevereiro de 2013

Florestas brasileiras serão mapeadas pelo Ministério do Meio Ambiente

Equipes de técnicos e especialistas começam a ser deslocadas este ano para a Amazônia, onde terão que mapear as florestas da região em detalhes. Atualmente, apesar de o Brasil ser coberto por 60% de florestas nativas, os dados sobre estas áreas limitam-se a imagens da cobertura vegetal, por satélites, por exemplo. O objetivo do governo é detalhar aspectos como a qualidade dos solos, as espécies existentes em cada área e o potencial de captura e emissão de gás carbônico pelas florestas.

Os investimentos para o levantamento somam, pelo menos, R$ 65 milhões. Os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram contratados na última quinta-feira (24/1) pelo Ministério do Meio Ambiente. A proposta é que as equipes coletem em campo as informações sobre as áreas e analisem todo o material que vai compor o Inventário Florestal Nacional (IFN), que começou a ser construído em 2010.

“Em debates internacionais sobre mudanças de clima, por exemplo, saberemos que florestas são estas que temos, qual a qualidade de nossas florestas, teremos descoberta de espécies, conhecimento sobre espécies em extinção, além das informações sobre a distribuição desses territórios e do potencial de uso econômico das florestas”, explicou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O inventário também reunirá informações sobre florestas situadas em outros biomas, como o Cerrado e a Caatinga. Desde que o projeto foi aprovado, o governo mapeou florestas em Santa Catarina e no Distrito Federal, em uma fase experimental. Para o levantamento no Cerrado, o Banco Interamericano de Desenvolvimento disponibilizou US$ 10 milhões e, em Santa Catarina, os técnicos descobriram florestas que estão sendo regeneradas naturalmente, sem que os especialistas soubessem que o processo estava ocorrendo.

Ao todo serão mapeados quase 22 mil pontos em todo o território nacional. Em toda Amazônia, haverá em torno de 7 mil pontos. Apenas no Arco do Desmatamento, formado por Rondônia, centro e norte do Mato Grosso e leste do Pará e onde será iniciado o levantamento da região, serão levantadas informações de cerca de 3 mil pontos amostrais, distantes 20 quilômetros um do outro.
As informações detalhadas sobres as florestas brasileiras também devem balizar as políticas do governo para conservação da biodiversidade no território nacional e as novas concessões florestais. “O Brasil só fez um levantamento como este uma vez, que foi publicado nos anos 1980, com dados dos anos 1970 e não foi um levantamento nacional. Este é o primeiro 'censo' florestal e será o trabalho de maior envergadura de todo o planeta”, disse Izabella Teixeira.

“Normalmente vemos as florestas do ponto de vista de perda [desmatamento e queimadas]. Com o inventário vamos conhecer a floresta por dentro. Vamos obter vários resultados. A ideia é que, de 5 em 5 anos, façamos novas medições”, acrescentou Antônio Carlos Hummel, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que está conduzindo o levantamento.

Além de dados sobre espécies arbóreas e sobre o solo, Hummel destacou que a população que vive no entorno das florestas também será questionada. Segundo ele, serão aplicados quatro diferentes questionários para saber como estas comunidades convivem nestes territórios.

Os dados serão divulgados parcialmente todos os anos, mas a conclusão de todo o levantamento só sairá em 2016.

26 de fevereiro de 2013

Projetos extrativistas em florestas fracassam, aponta Banco Mundial


Segundo o sindicalista Chico Mendes, o modo de vida extrativista seria capaz de proporcionar um sustento digno aos povos da floresta sem prejuízo ambiental, desde que amparado pelo governo. Ou seja, em vez de derrubar a mata para dar lugar à agropecuária, a população local poderia viver da coleta de seivas e frutos e da venda da madeira de árvores mais velhas. No jargão científico, esse modelo é chamado de desenvolvimento sustentável e, para se tornar realidade, precisa alcançar três objetivos: ser economicamente viável, preservar o ecossistema e reduzir a pobreza das pessoas que vivem no entorno. Essa agenda orientou inúmeros projetos de ONGs e governos, além de pautar encontros internacionais como a Eco 92 e a Rio+20, no Rio de Janeiro. Agora, um dos maiores patrocinadores desses projetos, o Banco Mundial, concluiu que a tentativa de aplicar o conceito da sustentabilidade a áreas florestais quase nunca dá certo. O surpreendente mea-culpa está em um relatório feito para uso interno da instituição, ao qual VEJA teve acesso, e que foi discutido em uma reunião fechada na sede do banco em Washington, há duas semanas.

O documento é o resultado de um trabalho louvável do banco para avaliar os efeitos dos 2,6 bilhões de dólares gastos em 289 projetos em florestas de 75 países, entre 2002 e 2011. O investimento serviu para aumentar a área de reservas ao redor do mundo, mas, de maneira geral, não conseguiu evitar a degradação da biodiversidade e de pouco ou nada adiantou para elevar o padrão de vida da população. Isso ocorreu também no Brasil, onde a instituição financiou a demarcação de 45 milhões de hectares de terras indígenas e outros 26 milhões em reservas ambientais. As conclusões do relatório não foram baseadas em estatísticas de renda ou de desenvolvimento humano, mas em levantamentos feitos pelos especialistas do Banco Mundial em visitas às comunidades que deveriam ser beneficiadas. Com isso, conseguiu-se uma análise muito mais próxima da realidade, pois são raros os países com indicadores sociais confiáveis para grupos populacionais tão pequenos quanto aqueles formados pelos que vivem dentro ou ao redor de reservas.

O relatório aponta como uma das causas do fracasso a insistência de ONGs e de governos em considerar que as atividades de subsistência e extrativistas são a melhor opção para o desenvolvimento das comunidades pobres. Para os auditores do Banco Mundial, pescar o peixe que se come ou catar coquinho para vender a um preço simbólico não deveria ser o objetivo final dos projetos, apenas um meio para as pessoas sobreviverem enquanto se organizam para uma atividade econômica capaz de produzir mais riqueza. Em outras palavras, na maioria dos programas financiados pelo banco, os moradores das reservas garantem o mínimo para sobreviver, mas não conseguem melhorar de vida.


25 de fevereiro de 2013

Estudo aponta que diversidade de espécies evita colapso de ecossistema


Um estudo da Universidade de Guelph, no Canadá, revela que redução da diversidade de espécies e a monocultura (produção de um único produto agrícola) podem tornar um ecossistema mais vulnerável a mudanças ambientais súbitas, como incêndios e invasão de pragas. O artigo foi publicado na revista “Nature”.

A pesquisa destaca a importância da biodiversidade na estabilidade de ecossistemas para amortecer os impactos de perturbações no meio ambiente. De acordo com os cientistas, os agricultores devem investir no cultivo de mais tipos de plantas em pastagens e bosques para evitar um futuro colapso no ecossistema.

Os pesquisadores monitoraram a estabilidade de ecossistemas altamente produtivos, mas pobres em diversidades de espécies. Eles verificaram que, apesar de se mostrarem resistentes às variações climáticas anuais, o ecossistema entrou em colapso quando foi atingido pelo fogo, introduzido pelos cientistas experimentalmente. Em contrapartida, pastagens em áreas com uma alta diversidade de plantas sobreviveram ao incêndio.

“As espécies são mais importante do que pensamos. Nós precisamos proteger a biodiversidade”, afirmou Andrew MacDougall, um dos autores do estudo e professor de botânica e membro do Centro de Pesquisa em Biodiversidade da universidade.

Os pesquisadores estudaram por dez anos pastagens no sul de Vancouver, no Canadá. A área de dez hectares, de propriedade da “Nature Conservancy of Canadá”, consiste em um tipo de savana ou pastagem com a presença de algumas árvores, no caso carvalhos, que estava há 150 anos sem registrar nenhum incêndio.

22 de fevereiro de 2013

Setor debate desenvolvimento do bioquerosene


A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) se reuniu na última terça-feira (19) com a Aliança Brasileira para Biocombustíveis de Aviação (Abraba) e agentes do setor. O objetivo era debater a consolidação e o desenvolvimento do bioquerosene na matriz energética renovável do Brasil.

De acordo com a Ubrabio, recentemente foi aprovado um requerimento do senador Rodrigo Rollemberg para a realização de uma audiência pública sobre bioquerosene na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal. No entanto, a avaliação é de que o assunto ainda é difuso no governo e que ainda é necessária uma aproximação maior. 

A diversificação de matérias-primas também foi tema da reunião. Segundo o presidente da Curcas Diesel, Mike Lu, são quatro as principais fontes de produção do bioquerosene: as já conhecidas do biodiesel pinhão-manso, óleo de cozinha reciclado e a gordura animal, além da camelina, que é desenvolvida em parceria com a Embrapa Soja como opção para produtores principalmente no Paraná.

Para o representante da Embraer, Guilherme Freire, o principal desafio é atender a demanda crescente de um setor abastecido por uma matéria-prima finita e, por isso, é urgente um marco legal que incentive o uso de biocombustíveis em substituição aos combustíveis fósseis.

PNPB
No mesmo dia, a Ubrabio também esteve reunida com as empresas associadas para tratar do avanço do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). O debate girou em torno principalmente do aumento imediato da mistura de biodiesel ao diesel fóssil e a implementação do B20 Metropolitano e do Interiorano a partir da Copa do Mundo FIFA 2014.


21 de fevereiro de 2013

Embrapa mostra potencial dos recursos genéticos como fonte de bioenergia em Belém do Pará


Geração de energia a partir de espécies vegetais nativas do Brasil e com microrganismos são os temas que pesquisadores da Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) estão debatendo no Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos, que acontece durante toda esta semana, em Belém/PA. Na terça-feira (25), os pesquisadores Bruno Galveas Laviola e Simone Palma Favaro integraram as discussões da mesa-redonda “Recursos genéticos como fonte de bioenergia”. Na quinta-feira (27), Silvia Belém Gonçalves e João Ricardo Moreira Almeida integram o debate sobre microrganismos.
Laviola apresentou palestra sobre pré-melhoramento genético de matérias-primas potenciais para produção de biocombustíveis. A Embrapa Agroenergia e sua rede de parceiros atuam em pesquisas com espécies vegetais produtoras de óleo que ainda não estão domesticadas. Entre elas estão o pinhão-manso e as palmeiras nativas babaçu, inajá, macaúba e tucumã. Os pesquisadores estão formando bancos ativos de germoplasma que deem suporte a programa de melhoramento genético dessas culturas. Ao mesmo tempo, estão estudando sistema de produção que proporcionem rentabilidade para o produtor. O dendê é outra palmeira em estudo na Empresa.
A Unidade brasiliense da Embrapa também está investindo nos trabalhos para aproveitamento de coprodutos e resíduos de espécies nativas no contexto das biorrefinarias, tema que foi apresentado no congresso pela pesquisadora Simone Favaro. Os produtos da macaúba, por exemplo, podem dar origem a alimentos para animais, carvão vegetal e carvão ativado.
Na seção sobre microrganismos, Almeida enfocará a prospecção e o melhoramento de espécies para a produção de etanol lignocelulósico. A Embrapa Agroenergia tem buscado, em bancos ativos de germoplasma e em diferentes biomas brasileiros, fungos produtores de enzimas para pré-tratamento de biomassa e leveduras capazes de fermentar açúcares de cinco e seis átomos de carbono. Também está investindo no melhoramento genético clássico e nas técnicas de engenharia genética para obter microrganismos de elite a serem empregados na produção do etanol de segunda geração.
Na mesma mesa-redonda, Silvia apresentará uma visão geral da utilização de microrganismos na produção de biocombustíveis. Em sua palestra, ela tratará dos processos de geração do etanol, do biodiesel e do biogás.

20 de fevereiro de 2013

Potencial antiinflamatório da macaúba


Entre as espécies nativas do Bioma Cerrado, mais de 50 apresentam frutos de grande aceitação pela população local (Almeida et al., 1998), sendo, exclusivamente, obtidos de extrativismo. A Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd é uma palmeira nativa do Mato Grosso do Sul (HIANE et al., 2006), encontrada em quase todo o Brasil (do Pará até São Paulo e Mato Grosso do Sul), ocorrendo também na Bolívia, Paraguai e Argentina. No Brasil, a Acrocomia aculeata é também conhecida por ‘bocaiúva’, ‘macaúba’, ‘coco catarro’, ‘macabira’, ‘mocajuba’ e ‘macaiba’. Os frutos (polpa e amêndoa) são muito apreciados tanto pelo homem como pela fauna doméstica e silvestre (Lorenzi et al., 2006; Pott et al., 2009). A polpa pode ser consumida in natura (chiclete pantaneiro) ou processada na forma de sorvetes, bolos e pães (Selis e Juracy, 2007). A Bocaiúva possui substâncias bioativas, “ditas funcionais”, como antioxidantes, Fibras e minerais imunomodularodes (como o Zinco). Além disso, sabe-se que Fibras e compostos antioxidantes têm ação antiinflamatória (Bressan et al, 2009). Associado a este contexto e tendo em vista a grande aceitação do bocaiúva entre a população do cerrado, como também o fato de que a inflamação é um dos principais fatores relacionados à fisiopatologia de Doenças Cardiovasculares (Azizi et al. 2003), bem como do Diabetes Mellitus, obesidade, dentre outras (Geraldo e Alfenas, 2008) tornam-se indispensáveis investigações que contribuam para o desenvolvimento de novas substancias que possam atuar no tratamento dessas doenças. Assim esse trabalho objetivou estudar a ação antiinflamatória dos extratos seco e fresco da Bocaiúva por meio de modelos experimentais de inflamação aguda e crônica em camundongos.
MATERIAIS E MÉTODOS
COLETA DE FRUTOS E OBTENÇÃO DE EXTRATOS
As amostras de frutos de bocaiúva foram coletadas em uma fazenda situada no município de Dourados e transferidas aos laboratórios do curso de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Federal da Grande Dourados (FACET-UFGD). O material (polpa e farinha) foi triturado e homogeneizado em liquidificador com solvente etanólico na proporção de 2g de material para 10 ml de solvente, conforme método descrito por Porto (2008) até se obter o extrato hidroetanólico da fruta. O extrato proveniente da polpa foi chamado de “Fresco”, enquanto o extrato da farinha foi chamado de “Seco”.
ANIMAIS
Para a realização dos experimentos foram utilizados camundongos suíços machos (25-35 g) adquiridos junto ao biotério central da Universidade Federal de Mato-grosso-do-sul (UFMS) e mantidos no Biotério Setorial da Faculdade de Ciências da saúde (FCS) da Universidade Federal da Grande Dourados em temperatura (22 ±  2 °C), ciclo claro/escuro de 12 horas e com livre acesso a água e ração. Os animais foram retirados do biotério e mantidos no laboratório para adaptação por um período de pelo menos 1 h antes do início dos experimentos, sendo utilizados somente uma vez em cada teste. Os experimentos foram conduzidos de acordo com as orientações para os cuidados com animais de laboratório e considerações éticas com os protocolos experimentais foram enviados para o Comitê de Ética e Experimentação Animal da Universidade da Grande Dourados (UNIGRAN).
EDEMA INDUZIDO PELA CARRAGENINA
Grupos distintos de camundongos foram tratados por via oral com o Extrato fresco (300 mg/kg), extrato seco (100, 300 ou 500 mg/kg) ou com veículo. Após uma hora, os animais receberam na pata direita 50 μ l de PBS contendo Carragenina (300 μg) A pata esquerda recebeu o mesmo volume de PBS e foi utilizada como controle. O aumento de volume da pata foi medido com o auxílio de um micrômetro (Kassuya et al., 2009).
EDEMA INDUZIDO PELO ADJUVANTE COMPLETO DE FREUND (CFA)
Grupos distintos de camundongos foram tratados diariamente por 6 dias (2 vezes ao dia) por via oral com o Extrato seco (300 mg/kg) ou com veículo. No primeiro dia, foi realizado a administração o extrato via oral, e após uma hora os animais receberam na pata direita 20 μl do CFA. A pata esquerda recebeu o mesmo volume de PBS e foi utilizada como controle. O aumento de volume da pata foi medido com o auxílio de um micrômetro (KASSUYA ET AL., 2009). Do sétimo ao nono dia o tratamento como extrato foi interrompido e depois reiniciado no décimo dia.
ANALISES ESTATÍSTICAS
Os dado foram apresentadas como media mean ± E.P.MM. Diferenças entre os grupos foram avaliadas pela analise de variância (ANOVA de uma via) seguida do teste de Newman-Keuls. O Número de animais por grupo estão indicados nas legendas. As diferenças estatísticas foram consideradas ser significativas em P<0.05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A carragenina induziu um aumento do edema durante 30 a 240 minutos após a injeção intraplantar. Observou-se um maior efeito antiedematogênico com o extrato seco (feito a partir da farinha da Bocaiúva) em relação ao extrato fresco (feito a partir da polpa não processada da bocaiúva) (Figura 1A, 1B e 2C). A inibição máxima foi de 54 ± 10 % para o extrato seco. Como extrato seco causou inibição significativa foram testados 3 doses diferentes, a dose de 100, 300 e 500 mg/kg por via oral. O tratamento com o extrato seco apresentou inibição significativa dose-dependente quando analisado no tempo de 2 hs após a administração da carragenina. A administração da dose de 500 mg/kg induziu uma redução de 45 ± 14 % .
No presente estudo, o efeito antiinflamatório foi mensurado observando-se o efeito do extrato da Bocaiúva na fase vascular da inflamação, isto é, na fase em que citocinas e radicais livres (como o Óxido Nítrico) aumentam a permeabilidade dos vasos (através de ação vasodilatadora), provocando o edema.
Portanto, a diminuição do edema nos experimentos sugere um efeito antiinflamatório do extrato hidroetanólico da Bocaiúva, sendo que tal efeito foi mais intenso quando administrado o extrato feito a partir da farinha da fruta. Uma possível causa de o efeito ter sido mais intenso com o extrato Seco é o fato de que, para se obter a farinha, a fruta passa por um processamento e por desidratação. Essa perda de água acaba deixando os compostos bioativos mais concentrados em relação à fruta que não passou por esse processo (Hiane et al., 1989).
No experimento em que foram testadas diferentes doses do extrato Seco, apenas a doses a partir de 300mg/kg apresentaram inibição estatisticamente significante (p<0,05) na redução do edema. É possível que a dose de 300 mg/kg tenha sido a única efetiva devido ao alto teor de compostos bioativos presentes. Atualmente é descrito na literatura que compostos antioxidantes interferem no processo inflamatório.
Segundo Moreira e Mancini-Filho (2004), estudos observacionais indicam que a ingestão total de antioxidantes ou a ingestão das vitaminas do complexo B, C e E e do Selênio associa-se a menores concentrações de PCR (proteína C reativa), um potente marcador sérico do processo inflamatório. Para os autores, a ingestão de antioxidantes parece ter um efeito adicional benéfico sobre o estresse oxidativo, o estado inflamatório e a função endotelial.
Como descreve Ramos et al. (2008), a Bocaiúva é rica em fibras, Carotenóides  (principalmente β-Caroteno) e minerais importantes, como Potássio e Zinco. Bressan et al. (2009) cita um estudo de intervenção clínica o qual se comparou uma dieta controle com outra enriquecida com Fibras e β-Caroteno, e poderá promover a diminuição de citocinas próinflamatórias, esses dados reforça a idéia de que os componentes bioativos da Bocaiúva (como Carotenóides, Zinco e Fibras) são capazes de diminuir a resposta inflamatória.
No experimento, no qual se usou o modelo de injeção do CFA, observou-se novamente a inibição do edema da pata dos animais tratados diariamente com o extrato Seco da Acrocomia aculeata (Boaiúva). O o edema no grupo tratado com o extrato, no primeiro dia, permaneceu abaixo de 0,55 μm (p<0,05), enquanto o grupo controle, que recebeu o veículo, apresentou valores maiores de edema (acima de 0,55 μm).
No segundo dia após injeção do CFA, a diferença entre tratados e controles foi ainda mais significativa: o grupo controle ultrapassou a medida de 1,65 μ m (p<0,05), enquanto o grupo que recebeu o extrato apresentou valores de edema inferiores a 1,1 μm (p<0,05). Tal diferença manteve-se até o sexto dia após a injeção do CFA.
O CFA simula um modelo de inflamação crônica, semelhante ao que ocorre em várias doenças crônicas de cunho inflamatório, tais como artrite, aterosclerose, diabetes, doenças do sistema imune, dentre outras. O que essas doenças tem em comum é o fato de estarem intimamente relacionadas ao estresse oxidativo causado pelo excesso de radicais livres no organismo (Biachi e Antunes, 1999. Esses podem agir sobre alguns componentes celulares e participar ativamente na gênese e manutenção de processos inflamatórios crônicos (Soares, 2002). Estudos clínicos e epidemiológicos têm mostrado evidências de que antioxidantes fenólicos de cereais, frutas e vegetais são os principais fatores que contribuem para a significativa redução da incidência de doenças crônicas e degenerativas encontradas em populações cujas dietas são altas na ingestão desses alimentos. Os frutos do Cerrado, como a Bocaiúva, são particularmente abundantes em antioxidantes fenólicos (Roesler et al, 2007).
Tendo em vista os resultados do presente estudo, além do conhecimento acerca da influência da dieta no processo inflamatório, bem como do leque de doenças em que a inflamação crônica resulta, espera-se que os resultados aqui demonstrados continuem a ser investigados no sentido de estimular o consumo de alimentos ricos em fibras, antioxidantes, vitaminas e minerais pela população. Uma dieta saudável é o caminho mais eficiente rumo ao controle de doenças inflamatórias crônicas, que estão entre as doenças que mais matam e que mais oneram os sistemas de saúde dos países ocidentais.
CONCLUSÃO
Os resultados sugerem que o extrato seco de A aculeata apresenta atividade antiinflamatória e provavelmente exibe compostos responsáveis por esta ação. Mais estudos são necessários para investigar o mecanismo de ação e indicar os compostos com atividade antiinflamatória.

19 de fevereiro de 2013

Nutrição mineral da macaúba: bases para adubação e cultivo

Leonardo Duarte Pimentel

Resumo
A macaúba (Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart.) é uma palmeira nativa do Brasil com potencial de produção de óleo vegetal comparado ao da palma africana (Elaeis guineenses Jacq.). A vantagem da macaúba em relação à palma é sua adaptação a condições edafoclimáticas diversas. Entretanto, até pouco tempo atrás, essa planta era explorada exclusivamente no sistema extrativista, sendo escassos os estudos fitotécnicos com a espécie.

Palavras-chave
Nutrição mineral, adubação, cultivo

18 de fevereiro de 2013

Maturidade sexual da macaúba aos 3 anos


A demora em obter a primeira colheita sempre foi um dos gargalos na cultura da macaúba, uma das mais promissoras fontes de matéria-prima para a produção de biocombustíveis, dentre outros itens. Essa limitação acaba de ser superada por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, que desenvolveram técnicas para o manejo racional da lavoura, aumentando a precocidade das plantas. Com isso, avalia o pesquisador Sérgio Yoshimitsu Motoike, professor do Departamento de Fitotecnia da UFV, o produtor que optar por essas técnicas de cultivo poderá antecipar em dois anos a colheita, com influência direta na viabilidade econômica da cultura.

Na natureza, informa o professor Sérgio Motoike, uma planta de macaúba pode levar mais de uma década para iniciar sua produção. Com base em observações feitas pela Epamig, nos anos 80 do século passado, a expectativa para o início da produção de cocos em cultivos racionais era de seis anos após o plantio das mudas no campo.

Em experimentos conduzidos pela equipe da UFV, as primeiras mudas obtidas a partir de sementes pré-germinadas (técnica desenvolvida pelos próprios pesquisadores) completam três anos em outubro próximo. Observações realizadas no início do mês passado, os pesquisadores constataram que as plantas já atingiram a maturidade sexual, emitindo as primeiras espatas, que darão origem aos cachos.

Vantagens da macaúba em relação a outras fontes

Palmeira encontrada em grandes áreas do cerrado brasileiro, a macaúba proporciona alta produtividade de óleo comparado à que se obtém com outras oleaginosas. A produção pode variar de 2,5 mil a 6 mil quilos de óleo por hectare, dependendo do material genético, dos tratamentos silviculturais e da densidade de plantio. Para que se tenha idéia do que isso representa, a produção da soja é de cerca de 500 a 600 quilos de óleo vegetal por hectare.

Um dos entraves mais sérios para a produção comercial foi a domesticação da palmeira, explorada de forma incipiente, há gerações, pelas populações sertanejas. O passo inicial foi o desenvolvimento da técnica de germinação em laboratório por pesquisadores da UFV, rompendo a chamada dormência da capacidade reprodutiva da macaúba, relata o professor Sérgio Motoike.

A germinação natural da semente da palmeira é pobre, alcançando no máximo 3%, ensina o pesquisador. A técnica desenvolvida na UFV consiste em um conjunto de sete tratamentos e eleva a taxa de germinação para 80%. “O produto dessa técnica é a semente pré-germinada, que tem potencial de estabelecimento superior a 90% em viveiro”, afirma o professor Sérgio. A técnica foi patenteada pela UFV, que assinou convênio de transferência de tecnologia e concedeu licença à Acrotech, para que pudesse utilizar comercialmente o processo, mediante recolhimento de royalties.

As pesquisas estão voltadas para o desenvolvimento da primeira variedade de polinização aberta de macaúba, o que demandará oito anos de experimentos. O projeto tem o objetivo de produzir 8 milhões de sementes selecionadas, de qualidade genética conhecida.

15 de fevereiro de 2013

Cana, etanol, biodiesel e macaúba


PROMALC é a sigla de Programa Mineiro de Álcool, Leite e Cachaça, uma iniciativa dos produtores de cachaça de Minas Gerais, que lutam pela criação de condições legais para produção de etanol em pequenas propriedades. A produção de etanol pode se dar também por retificação do resíduo da cachaça (o início e final da distilação) que não se prestam para a produção de cachaça de qualidade.

O PROMALC apresenta grandes vantagens econômicas e técnicas, mas há obstáculos que foram criados pela legislação e regulamentação da produção de biocombustíveis, como por exemplo a absurda exigência do decreto 85.698 de 04/02/1981, que define que só poderão obter registro na ANP unidades de produção inferior a 5.000 litros por dia, que produzam para consumo próprio. Ou seja não poderão vender a terceiros.

O aproveitamento do topo da cana e o uso do bagaço misturado a uréia, permite o aumento da produção de leite e a redução dos custos de produção. Além disso a vinhaça pode ser usada para adubação de pastos e capineiras, e o bagaço pode ser compostado com estrume bovino, melhorando muito as condiçoes físicas, químicas e biológicas do solo.

O PROMALC não pede benefícios ou vantagens, apenas exige o que é elementar em qualquer país do mundo: condições para os pequenos produtores rurais produzirem e comercializarem. No Brasil, desde que o Proálcool alijou os pequenos da produção de etanol, vários grupos têm lutado para conseguir comercializar etanol, ensejando maior geração de empregos e renda no campo, absorção de gases de efeito estufa, e independência dos combustíveis fósseis. Tudo muito óbvio, mas no Brasil, muitas vezes, o óbvio não acontece.

A produção de macaúba, através do extrativismo ou de plantios comerciais, apresenta similaridades e possibilidades de integração com plantios de cana para produção de etanol.

Na produção de biodiesel o etanol é uma das matéria prima, sendo desejável a sua produção próxima da produção de óleos vegetais.

Ambos, etanol e macaúba podem ser produzidos economicamente em pequenas propriedades, a torta da amendoa de macaúba é rica em proteina e complementa o bagaço de cana na alimentação do gado. É possível consorciar cana e macaúba, ou plantar cana em fundos de vale e macaúba em encostas, numa mesma propriedade.
A casca seca e moída da macaúba é um adsorvente do cobre residual presente na cachaça.
O composto orgânico (bagaço + vinhaça) pode ser usado na adubação da macaúba, e também gera gás natural, para o aquecimento de óleos vegetais, em reatores de transesterificação.

Fonte: ongtremmacaubeiros.blog.terra.com.br 

14 de fevereiro de 2013

Ricota com fibra de macaúba

A redução do consumo de fibras se tornou preocupante no contexto da vida moderna, uma vez que houve uma redução no consumo de alimentos, como frutas, legumes e hortaliças. Isso contribuiu para redução na qualidade da saúde da população, pois a fibra alimentícia é um dos componentes importantes para reduzir o risco de doenças do trato gastrointestinal. 

Os derivados lácteos têm sido utilizados como veículo de vários ingredientes funcionais e probióticos, e a utilização de fibra do fruto da macaúba (Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd) pode ser uma opção bastante viável, tanto do ponto de vista tecnológico como do econômico, já que o fruto da macaúba possui elevado teor de fibra alimentícia, quando comparado a outros frutos do cerrado. 

Assim o objetivo da pesquisa foi desenvolver ricota com adição de fibra do côco macaúba. O produto foi desenvolvido no setor de alimentos do IFMG-campus Bambuí(MG), com  três formulações de ricota com adição de fibra do fruto da macaúba, sendo uma formulação (T1) sem fibra (testemunha) e as formulações T2, T3 e T4 com adição de 1%, 2% e 4% de fibra, respectivamente. 

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e quatro repetições (fabricações). Como o trabalho se encontra em andamento, foram realizadas análises físico-químicas para caracterização da composição da polpa de côco macaúba e testes de fabricação de ricota com a polpa para definição da melhor tecnologia a ser utilizada. Foram realizadas as determinações do teor de umidade, lipídios e cinzas que apresentaram os resultados de 4,56%, 12,55% e 4,43% (em base seca), respectivamente.

Fonte: gerson.org

13 de fevereiro de 2013

Funções terapeuticas do ácido láurico


A Fundação Filipina para Pesquisa e Desenvolvimento do Coco juntamente com o Hospital São Lázaro e os Laboratórios United,  conduziram  em  1999  os  primeiros  testes  de HIV  / AIDS  efetuados  nas Filipinas. Os  testes  envolveram  15 pacientes do Hospital São Lázaro portadores de HIV, nos primeiros estágios de desenvolvimento do vírus.

Os testes basicamente procuravam determinar se a monolaurina, um derivado do ácido laurico seria responsável pelo aumento de células CD4 e a redução da carga viral nos pacientes num estágio ainda não detectável. As células CD4 são a primeira linha de defesa do corpo contra doenças e infecções, mas também são as primeiras a serem atacadas pelo HIV. A carga viral é a quantidade de vírus no sangue.
O Dr. Conrado Dayrit, Presidente da Academia Nacional de Ciências e Tecnologia e membro do Conselho do PCRDF, num pronunciamento anterior, afirmou que o HIV, o vírus que causa a AIDS, está envolvido por uma membrana gordurosa que a monolaurina pode penetrar e mutilar rapidamente após ingerido. A monolaurina destrói a membrana que envolve o vírus por um processo de amaciamento. “Se isso acontece, o vírus morre” disse o Dr Dayrit.

Romulo Conde, Supervisor Técnico do PCRDF, disse que os resultados foram promissores, mas a fim de satisfazer a comunidade cientifica, precisam de conclusões mais concretas. Não é bom tirar conclusões pela metade, acrescentou. Disse ainda que os testes continuarão no próximo ano.

De acordo com a edição de Novembro da “Discover Magazine”, um grupo de cientistas canadenses desenvolveram o que eles chamaram de “camisinha invisível”, que nada mais é do que uma gelatina anti-microbiana atuando na prevenção do HIV. A equipe liderada pelo Dr Michael Bergeron disse que o gel, incolor e inodoro, não é um preventivo para gravidez, mas pode bloquear o vírus da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

“O preparado do Dr Bergeron, que ele chama de “camisinha invisível” consiste de dois componentes. O primeiro é um polímero gelatinoso, que é liquido na temperatura ambiente, mas torna-se um gel quando na temperatura do corpo.

Quando introduzido, o liquido se dissemina por toda a parede vaginal, tornando-se em seguida uma gelatina e criando uma barreira semi-sólida contra agentes infecciosos”, reportou a Discover Magazine. O segundo ingrediente é um antigerme como o lauril sulfato de sódio, uma substância saponácea que dissolve as membranas dos vírus, eliminando-os. O lauril sulfato de sódio é um elemento químico derivado do ácido laurico e do leite materno, conhecido como um eliminado de micróbios. A gelatina, quando testada em ratos, foi 90 a 100 por cento eficaz na eliminação do vírus da herpes genital.

Em outro artigo publicado no “Indian Coconut Journal “ em Setembro de 1995, a Dra. Enig afirmou : “O reconhecimento da atividade anti-microbiana da monolaurina tem sido registrada desde 1966. O trabalho embrionário pode ser creditado a Jon Kabara. Essa pesquisa anterior foi direcionada para os efeitos virucidais por causa dos possíveis problemas relacionados com a preservação de alimentos. Alguns dos antigos trabalhos de Hierholzer e Kabara (1982), que mostravam os efeitos virucidais da monolaurina sobre vírus envolvidos em RNA e DNA, foram elaborados em conjunto com o Centro de Controle de Doenças do Serviço Publico de Saúde Americano, com protótipos selecionados ou reconhecidos como envolvidos em membranas de lipídios de grande rigidez".

A Dra. Enig afirmou em seu artigo, que a monolaurina, cujo precursor é o acido laurico, destrói a membrana de lipídios que envolve o vírus bem como torna inativas bactérias, leveduras e fungos. Ela  escreveu:  “Dos  ácidos  graxos  saturados,  o  ácido  laurico  tem  uma  atividade  antiviral maior  do  que  os  ácidos caprilico(C10) e miristico (C14). A ação atribuída ao monolauril é a de que ele solubiliza os lipídios contidos no envoltório do vírus, causando a destruição desse envoltório.” Na Índia, o óleo de coco é ministrado a bezerros no tratamento de Cryptosporidium conforme reportado por Lark Lands Ph.D no seu livro a ser lançado, “Positivamente Bem”.A Dra. Enig afirmou em seu artigo, que a monolaurina, cujo precursor é o acido laurico, destrói a membrana de lipídios que envolve o vírus bem como torna inativas bactérias, leveduras e fungos.

Apesar de não ter sido mencionado por Enig, o HHV-6A é um vírus que tem uma capa envolvente cuja expectativa é que se desintegre na presença de acido Laurico e/ou Manolaurina Segundo  Dra.  Enig,  HIV,  sarampo,  Vírus  da  estomatite  vesicular  (VSV),  Herpes  Simplex  Virus  (HSV-1),  Visna, Cytomegalovirus (CMV), Influenza vírus, Pneumonovirus, Syncytial vírus e Rubeola, são algumas das doenças que tem suas atividades inibidas pela Monolaurina. Algumas bactérias, que incluem Listeria, Staphylococus aureus, Streptococus agalactiae, Streptococci dos Grupos A, B, F e G, Organismos Gran-positivos e Gran-negativos tornaram-se inativas pelo ação da monolaurina.

O OLEO DE COCO NATURAL NA AIDS E EM OUTRAS INFECÇÕES VIRAIS

Em 19 de Julho de 1955 a Dra. Enig falava para um artigo publicado no jornal “THE HINDU”, O Jornal Nacional da Índia,  quando afirmava que o óleo de coco é convertido pelo organismo em “monolaurina”, um ácido graxo com propriedades anti-virais, que pode ser útil no tratamento da AIDS. Um repórter do “THE HINDU” escreveu o seguinte a respeito da apresentação Dra. Enig durante uma conferência em Kochi : “Houve um momento nos Estados Unidos em que uma criança comprovadamente diagnosticada positiva, tornou-se HIV Negativa.  Essa  criança  havia  sido  alimentada  com  uma  fórmula  com  alto  teor  de  óleo  de  coco. A experiência  foi significativa e os esforços estão voltados para se encontrar as causas da redução da carga viral da criança com HIV quando alimentada com uma dieta que ajuda na geração de monolaurina no organismo”.

O repórter comenta também a observação feita pela Dra. Enig de que a monolaurina ajuda também na inibição de outros vírus como o sarampo, herpes, estomatite vesicular e Citomegalovirus e que pelo avançado das pesquisas, há também uma indicação de que o óleo de coco oferece certas medidas de proteção contra substâncias cancerígenas.

Estudos divulgados pelo Dr. Conrado S. Dayrit, MD em 25 de julho de 2000 em Chennai na Índia, no 37º Encontro Cocotécnico, mostraram um grande potencial terapêutico para os óleos láuricos (com alto teor de ácido láurico, como o óleo da amêndoa de macaúba, o babaçu, tucumã e côco da bahia). A experiência da administração de 50ml de óleo de coco diária em 15 pacientes (10 mulheres e 5 homens) portadores do HIV (o vírus da AIDS) e que nunca haviam recebido nenhum tipo de tratamento anti HIV, no Hospital de São Lázaro, nas Filipinas, sob a responsabilidade do Dr. Eric Tayan, M.D, mostraram um aumento do linfócitos de defesa do corpo, CD4 e CD8 de 248 para 1.065 e 570 para 1671 respectivamente.

Um homem que possuía uma carga viral muito baixa (<0.4X103) e que não sofreu mudanças, não foi incluído no resultado final da pesquisa. As estatísticas finais incluíram resultados para 4 homens e 10 mulheres e mostram que 7 (2h, 5m) de 14 pacientes tiveram uma redução em 3 meses de uso diário do óleo, enquanto 8 (3h, 5m) sofreram redução em 6 meses. Os níveis de CD4 e CD8 aumentaram em 5 pacientes, mas não mantiveram relação com a diminuição da contagem viral.

A adição de óleos láuricos na alimentação de pacientes portadores do HIV pode trazer como benefício a diminuição do nível da carga viral em indivíduos HIV positivos, diminuição do antígeno P24 e o aumento do CD4 e/ou CD4/CD8. Com bases nas pesquisas acima, o uso de óleos láuricos na alimentação de pessoas com baixa imunológica, que possuem grande  facilidade  em  gripar,  pessoas  com  doenças  bacterianas  e  viróticas  como  tuberculose,  pneumonia,  herpes, doenças venéreas, auto-imunes como o lúpus e a psoríase, câncer, Crohn entre outras, seria de extrema valia. Da mesma maneira, o emprego deste óleos na massagem se mostra eficaz para o tratamento dos mesmos problemas, dada sua penetração pela pele ser muito fácil. Óleos láuricos são os óleos mais finos e de melhor penetração pelos poros, sendo também os melhores veículos carreadores para óleos essenciais. Na alimentação podem ser utilizados para cozinhar e fritar alimentos, substituindo os óleos de soja, girassol e milho. O refino não interfere nas suas propriedades terapêuticas, apesar de ser melhor o óleo in natura, porém a hidrogenação da parte insaturada do óleo pode levar à formação de gordura trans capaz de causar câncer, aumento do colesterol, entre outros desequilíbrios. O uso local destes óleos ainda pode ser uma fonte interessante para tratamento de escaras, feridas infeccionadas e inflamações.

A DOSE TERAPEUTICA

Baseada nos seus cálculos, e na quantidade de acido Láurico encontrado no leite materno humano, a Dra. Enig sugere para  adultos,  uma  dieta  rica  de  24  gramas  de  acido  láurico  diariamente.  Essa  quantidade  corresponde  a aproximadamente 3,5 colheres de sopa de óleo de coco ou 10 onças de Puro Leite de Coco. Aproximadamente 7 onças de coco bruto devem conter 24 gramas de acido láurico. Essa é a dose terapêutica diária sugerida pela Dra. Enig, baseada nas suas pesquisas de acido láurico contidos no leite humano materno.

ÓLEO DE CÔCO E CÂNCER

Em um estudo de Reddy e al (1984) com animais, puro óleo de côco exerceu efeito inibitório mais forte que o óleo MCT quando empregado em tumores do cólon induzidos pelo uso de azoximetano. Outras pesquisas de Cohen e al (1986) mostraram que os efeitos inibidores do cãncer, do óleo de cõco foram também observados no câncer dos seios induzido quimicamente. Neste modelo, a pequena elevação do colesterol nos animais comendo óleo de côco funcionou como  protetora  enquanto  os  animais  comendo mais  óleo  poliinsaturado  (milho,  girassol,  etc)  tiveram  redução  do colesterol, mas contudo mais tumores. Os autores notaram que “…uma tendência inversa geral tem sido observada entre os tipos de lipídeos no organismo e a incidência de tumores para os 4 maiores grupos de gorduras.”

OS EFEITOS DO OLEO DE COCO NOS NIVEIS DE COLESTEROLE HDL

A dra. Mary Enig MS (Cientista Nutricional) desenvolveu uma pesquisa original onde mostra a correlação positiva entre o óleo vegetal e o câncer e a negativa entre este e a gordura animal. Ela elaborou uma análise clara dos componentes das gorduras “trans” em 200 alimentos. As gorduras “trans” são formadas quando os óleos vegetais são hidrogenados ou quecidos a altas temperaturas. Com altas temperaturas, fica alterada a sua forma original “cis” transformando a gordura em gordura “trans”.

Ela estudou o efeito dessas gorduras trans, originárias de alimentos, sobre a função mista do sistema oxidativo do fígado que metaboliza no organismo drogas e poluentes ambientais. Um importante achado desses estudos foi que animais de laboratórios submetidos a uma dieta especial contendo gorduras trans, sofreram alterações nas atividades desse sistema de enzimas. Esses resultados foram em parte responsáveis pela revisão no “Health Aspects of Dietary Trans Fatty Acids, mantidas pela Federação das Sociedades de Biologia Experimental, Life Sciences Research Office por solicitação do FDA (Food and Drug Administration) Dra. Mary Enig tem 17 artigos publicados em jornais científicos desde 1976. Em 1986 foi nomeada pelo Governador de Maryland  para  o  Conselho  Estadual  de Aconselhamento  Nutricional.  Foi  editora colaboradora  da  revista  “Clinical Nutrition” e consultora editorial do jornal do Colégio Americano de Nutrição. Desde 1979 já proferiu mais de 50 palestras em seminários sobre alimentos e nutrição.

Num artigo publicado no “Indian Coconut Journal,” em 1995, a Dra. Enig afirmou que Ancel Keys tem uma grande responsabilidade pelo inicio da campanha contra a gordura saturada nos Estados Unidos. Ela questionou Keys afirmando que “toda gordura aumenta o colesterol; gorduras saturadas aumentam e as polinsaturadas reduzem o colesterol ; as gorduras hidrogenadas são problemas; as gorduras animal são problemas. E a Dra Enig conclui: “Como pode ser visto, seus achados não têm consistência”.

A dra. Enig também declarou : “Os problemas com o óleo de coco começaram há quatro décadas quando pesquisadores alimentaram animais com óleo de coco hidrogenado propositadamente alterado, para torná-lo completamente destituído de qualquer ácido graxo essencial. Os animais alimentados com óleo de coco hidrogenado (sendo a única fonte de gordura) apresentaram naturalmente uma deficiência em ácidos graxos essênciais. Houve um aumento do colesterol no sangue. Dietas que causam uma deficiência dos ácidos graxos essenciais provocam um aumento nos níveis de colesterol sim como nos índices arteroscleróticos. Os mesmos efeitos foram verificados com outros óleos hidrogenados como e de semente de algodão, soja e milho. Fica portanto claro que trata-se de uma função dos produtos hidrogenados, tanto por causa de uma deficiência dos ácidos graxos essenciais, como por causa das gorduras trans.

Uma questão que se coloca é: O que acontece quando animais são alimentados com óleo de coco não processado? A Dra. Enig escreveu : “Hostmark at al…” (1980) comparou os efeitos das dietas contendo 10% de óleo de coco e 10% de óleo de girassol em proteínas distribuídas em ratos fêmeas da raça Wistar. Em relação ao óleo de girassol, o óleo de coco produziu níveis significativamente mais baixos (p=0,05) de beta-pre lipoproteinas (VLDL) e significativamente mais altos (p=0,01) de alfa-lipoproteinas (HDL). “(Nota do Editor : HDL é considerado o bom colesterol prevenindo os depósitos do colesterol LDL nas paredes arteriais.)”. Enig cita também um estudo elaborado por Awad (1981) onde ratos da raça Wistar foram alimentados com 14% de óleo de coco natural e 14% de óleo de girassol. Ela afirmou:” O óleo de girassol provocou nos tecidos dos animais um acúmulo de colesterol seis vezes maior do que os animais alimentados com óleo de coco (não hidrogenados)”. Aconclusão que se pode tirar é que alimentar animais com óleo de coco hidrogenado destrói a formação de ácidos graxos essenciais potencializando a formação de arteriosclerose. É importante frisar que animais alimentados com óleo de coco regular tiveram um índice mais baixo de colesterol no fígado e em outros órgãos do corpo.Enig também  se referiu a um estudo epidemiológico elaborado por Kaunitz e Davrit (1992) em sociedades que se utilizavam do coco como alimento, onde se confirmou por um estudo da população, que uma dieta rica em óleo de coco não leva a um aumento dos índices de colesterol, nem das doenças coronarianas. Vale ressaltar que nessa sociedade  não houve qualquer consumo de óleos hidrogenados. Apenas óleo de coco natural.

Em 1989, Kaunitz e Davrit chamaram atenção para um relatório de Mendis et al onde mostrava que mulheres do Sri Lanka que tiveram suas dietas alteradas de óleo de coco natural para óleo de milho, apresentaram uma redução no Colesterol LDL de23.8%, o que é uma boa noticia, porem o colesterol HDL também apresentou uma redução de 41,4% o que é uma má noticia. Isso criou uma relação LDL/HDL desfavorável, significando que numa dieta de óleo de milho haverá um maior depósito de colesterol nas artérias em relação ao óleo de coco natural. Em suma, a dieta com óleo de milho líquido acelera o depósito de colesterol, em comparação com aquela de óleo de coco natural. O óleo de coco natural, ao provocar um aumento no HDL (bom colesterol), ajuda na prevenção de arteriosclerose e de doenças do coração. Enig cita também a pesquisa de Tholstrup et al (1994) com óleo de palmeira (não hidrogenado) rico em acido láurico contendo também ácido mirístico. Tholstrup encontrou também um aumento significativo nos níveis de colesterol HDL.

No seu artigo, Enig registrou que os efeitos do óleo de coco em pessoas com baixo nível de colesterol é justamente o contrário daqueles com um alto nível. As pessoas com uma baixa contagem de colesterol, deverão apresentar um aumento de colesterol sanguíneo, do colesterol LDL e especialmente do colesterol HDL. Já as pessoas com alto nível de colesterol apresentarão uma redução dos níveis de colesterol total e colesterol LDL.

Os estudos que ela menciona mostra que em ambos os grupos a relação HDL/LDL se move numa direção favorável. Para pessoas com AIDS ou com comprometimento da imunidade para outras doenças, as conclusões desse pesquisa são profundas. Isto significa que tudo que tem sido informado ao público pela televisão no últimos 15 anos a respeito dos óleos vegetais têm sido meias-verdades, levando esse público a conclusões errôneas. O público tem sido levado a acreditar que óleos tropicais provocarão bloqueio nas artérias levando a doenças cardíacas. O que ocorre na verdade é justamente o contrário. Óleos tropicais naturais ajudam na preservação das artérias enquanto que ocorre o oposto com a maioria dos outros óleos vegetais, principalmente as gorduras hidrogenadas tão utilizadas hoje em pastelarias, biscoitos, pães, margarinas e produtos industrializados em geral.

Esta política contra o côco, babaçu e o dendê (palma), tem sido mantida por grandes multinacionais americanas que, sendo os maiores produtores mundiais de óleos vegetais poliinsaturados (soja, milho, canola e girassol), não querem sofrer  perdas  financeiras  que  estas  alternativas  trariam  a  eles,  pois  óleos  extraídos  de  plantas  tropicais  como  os coqueiros custariam muito mais baratos e seriam mais acessíveis às populações de baixa renda.

A Dr, Enig também informa que o óleo de canola é o pior para ser utilizado em qualquer circunstância. Quando utilizado na cozinha ele produz um elevado nível de gorduras trans.

ÓLEO DE CÔCO E MASSAGEM

Óleos láuricos como o de côco da Bahia, palmiste, macaúba e babaçu, são extremamente finos, de baixa viscosidade, sendo por isso excelentes veículos carreadores para óleos essenciais, dada à sua fácil e rápida penetração pelos poros da pele. São excelentes fontes alternativas para substituição do óleo mineral, hoje considerado dentro de alguns estudos científicos como cancerígeno. Avantagem é que são baratos e competitivos como produtos naturais. São emolientes naturais, que podem ser empregados refinados ou não, possuindo normalmente uma longa durabilidade. Agem na pele hidratando suavemente, refrescando e devido ao seu teor em ácido láurico, como moderados anti-sépticos, além de terem efeito imunoestimulantes.

Como côco, são compreendidas várias alternativas da família das palmeiras, que contém óleos vegetais extraídos por prensagem e com alto teor de ácido láurico (acima de 40%) e que podem ser utilizadas para tudo o que foi descrito anteriormente por gerarem monolaurina no corpo. Entre estas alternativas disponíveis atualmente no mercado para uso tanto alimentar quanto para massagens temos:

Côco da Bahia ou da praia
Babaçu
Murumuru ou murmuru
Macaúba
Tucumã (tucum)
Dendê  (palmiste)

Óleo de coco queima gordura e reduz circunferência abdominal. Substância também combate radicais livres e retarda envelhecimento Estudos recentes mostram que o uso do óleo de coco é capaz de reduzir o índice de massa corporal (IMC), bem como a circunferência abdominal, sendo uma ótima e saudável opção para quem quer emagrecer.

Como consumir

O óleo dos cocos (palmiste, babaçu, coco da praia e macaúba) é um alimento com baixo potencial alergênico e, de uma maneira geral, não possui contraindicações se consumido em uma quantidade moderada de 2 a 3 colheres de sopa por dia. O ideal é que se inicie com uma pequena quantidade (equivalente a meia colher de sopa) e se aumente o consumo gradualmente, já que o consumo excessivo pode levar a diarreia.

Fonte: spacodosha.com.br

8 de fevereiro de 2013

Amêndoa da macaúba, fonte do benéfico ácido láurico

Pesquisas cientificas e experimentos demonstram que o ácido láurico possui a capacidade de aumentar a ação do sistema imunológico pela  liberação de uma substância chamada interleucina 2 (Wallace, F A et al.), que induz a medula óssea fabricar mais células brancas de defesa,  uma terapia importante para quem está com imunidade baixa como pessoas com AIDS e Câncer.

O ácido láurico está presente na amendoa de MACAÚBA, no elevado teor de 43,6%, segundo o estudo da Fundação CETEC-MG.
 Além disso, os óleos láuricos agem como antiinflamatórios pela inibição da síntese local de prostaglandinas (PGE2) e interleucina 6 que são substâncias pró-inflamatórias presentes em quadros reumáticos, artrites e inflamações musculares. 
Quando o ácido láurico chega aos nossos intestinos, a molécula é partida pela enzima lípase e se transforma em monolaurina. A monolaurina é absorvida pelos intestinos e lançada na circulação sanguínea. A mololaurina tem ação solvente da membrana de lipídios que envolve vários tipos de vírus,  bem como torna inativas bactérias, leveduras e fungos. A ação atribuída a monolaurina é a de que ela solubiliza os lipídios contidos no envoltório dos vírus, causando a sua destruição. Há assim uma potencial atividade antiviral e anti-bacteriana desta substância contra vírus perigosos como Epstein-Barr, causador da mononucleose e bactérias como o Helicobacter pylori, causa de dores e úlcera do estômago.
 Altos teores de ácido láurico são encontrados também no babaçu, no dendê e côco da Bahia. Nestas arecáceas há concentração elevada de ácido láurico, componente importante do leite materno humano, para o fortalecimento imunológico do bebê.
Algumas observações levaram à descoberta que óleos láuricos estimulam a função da glândula tireóide. O bom funcionamento desta glândula, faz com que o mal colesterol (LDL) produza hormônios que reduzem a velocidade de envelhecimento do corpo como o pregnenolona e a progesterona. Estes hormônios reduzem sintomas associados à menopausa e tensão pré-menstrual na mulher, problemas cardiovasculares, obesidade, entre outras doenças.

7 de fevereiro de 2013

Macaúba: biocombustível e alimento funcional


A macaúba poderá ser, nos próximos anos, a cana-de-açúcar do biodiesel, fornecendo o óleo da polpa, em quantidades crescentes. O outro óleo da macaúba, o da amêndoa, é um óleo comestível saturado, assim como o óleo de côco, de palmiste, e de babaçu, todos com elevada composição de ácidos graxos de cadeia carbônica média, o que significa excelente qualidade para alimentação, com características funcionais, na prevenção de doenças cardíacas, do câncer, diabetes e de doenças infecciosas.
Falar que os óleos saturados são saudáveis pode parecer um contrassenso, mas dezenas de relatórios científicos publicados estão demonstrando que os óleos saturados, ou óleos tropicais de palmeiras, são mais saudáveis que os óleos de cereais, de soja, milho e girassol, chamados de poliinsaturados.
Há algumas indicações importantes que reforçam esta assertiva:
- Durante milhões de anos o homem vem consumindo óleos saturados de palmeiras tropicais e gorduras animais, compostos majoritariamente por ácidos graxos saturados. O aumento da incidência de aterosclerose ocorreu nos últimos 50 anos.
- Populações que consomem predominantemente óleos saturados têm menor incidência de doenças degenerativas.
- O leite da mulher tem elevado teor de óleos saturados, assim como o leite dos outros mamíferos.
- Biópsias de ateromas têm apresentado maior composição de ésteres de ácidos graxos insaturados do que de saturados.
Veremos a seguir como os consumidores e até cientistas foram levados a acreditar em grandes mentiras, e mostraremos conclusões de pesquisas que recomendam o consumo dos óleos saturados. O texto, traduzido por nós, é de uma palestra da nutricionista professora Dra. Mary Gertrude Enig, PHD, da Universidade de Maryland, EUA.
A CAMPANHA ANTI-ÓLEOS SATURADOS
A indústria de óleo de côco sofreu mais de três décadas a abusiva retórica do grupo de consumo ativista norte-americano Centro para a Ciência de Interesse Público (CSPI) patrocinado pela ASA – Associação Americana da Soja e por outros membros da indústria de óleos comestíveis, e de grupos médicos e da comunidade científica que receberam desinformação de grupos como a ASA e CSPI.
A seguir um breve retrospecto das origens das campanhas anti-óleos saturados tropicais.
Quando e como começou a história anti-óleos saturados?
De fato começou nos anos 1950, quando um pesquisador de Minnesota anunciou que doenças cardíacas estavam sendo causadas pela ingestão de gorduras vegetais hidrogenadas. A resposta da indústria de óleos comestíveis foi que somente a fração das gorduras saturadas nos óleos vegetais hidrogenados estava causando este problema. A industria então anunciou que mudaria a formulação para gorduras parcialmente hidrogenadas, e que isto resolveria o problema.
Na realidade não houve nenhuma mudança porque os óleos já estavam sendo parcialmente hidrogenados e os níveis de ácidos saturados permaneciam semelhantes, o mesmo ocorrendo com os ácidos graxos trans. A única coisa que mudou foram os termos para hidrogenação e solidificação apresentados nas etiquetas dos produtos.
Durante este mesmo período, um pesquisador de Filadélfia divulgou que consumir óleos poliinsaturados reduz o colesterol sérico. Este pesquisador entretanto negligenciou incluir a informação de que esta redução era devida ao fato do colesterol se fixar nos tecidos, artérias e no fígado.
A partir da divulgação deste relatório de pesquisa houve um gradual aumento na ênfase em substituir gorduras saturadas na dieta pelo consumo de maiores quantidades óleos poliinsaturados. Esta substituição foi apoiada de diferentes maneiras: recomendações da Academia Nacional de Ciências dos EUA e de outros grupos de opinião.
Os primeiros promotores das idéias anti-óleos saturados incluiam empresas como a CPC – Corn Products Company (filial brasileira: Corn Products Brasil, antiga Refinações de Milho Brazil) que publicou um livro escrito por Jeremiah Stamler em 1966.   Este livro apresentou os óleos tropicais de forma pejorativa, destacando o óleo de côco como tendo alto teor de óleos saturados.  Óleo de palma ainda não havia entrado nos EUA, e não representava ameaça comercial aos óleos domésticos, de milho, soja e girassol.
Uma observação dos editores da revista Consumer Reports informava que:
“…em 1962… um escritor observou, que o americano médio agora teme as gorduras (istoe é: gorduras saturadas) como na infância temia as bruxas.”
Em 1965, um representante da empresa Procter and Gamble instou com a Associação Americana do Coração para mudar as recomendações de dieta saudável para o coração, removendo toda referencia aos ácidos graxos trans.
Isto alterou documentos oficiais encorajando o consumo de gorduras parcialmente hidrogenadas.  Nos anos 1970, o mesmo empregado da Procter and Gamble serviu como diretor de nutrição na Clínica de Pesquisa de Lipídios, do Instituto Nacional do Coração e Pulmão (LRC).
As pesquisas do LRC foram a base para a Conferencia de Consenso do Colesterol de 1984, que deu a luz ao Programa Americano de Educação sobre o Colesterol (NCEP).
Este programa encorajou o consumo de margarina e gorduras parcialmente hidrogenadas, embora admitindo que estas não deveriam ser consumidos em excesso. O documento oficial do NCEP recomendava que
“…oleos de côco, de palma e palmiste… devem ser evitados…”
Em 1966, documentos do Departamento de Agricultura Americano sobre gorduras e óleos apontava a instabilidade dos óleos insaturados. Não havia críticas aos óleos saturados. O criticismo veio mais tarde quando este órgão caiu sob a influência da indústria de óleos e gorduras, e quando desenvolveu as Diretrizes Dietéticas Americanas, que se tornaram contra os óleos saturados e assim continuam até hoje.
Não obstante ocorreram algumas reversões da posição anti-óleos saturados em 1998. No início dos anos 1970, embora alguns pesquisadores tenham divulgado preocupações sobre os óleos trans, a indústria de óleos comestíveis e a Administração de Drogas e Alimentos (FDA) estavam aliados em mudanças de orientação para:
(i) Promover o consumo crescente de óleos vegetais parcialmente hidrogenados
(ii) Condenar as gorduras saturadas
(iii) Omitir a questão das gorduras trans.
Em 1971, o conselheiro geral da FDA foi escolhido para presidência da associação das empresas de óleos comestíveis, e sua vaga foi ocupada por um advogado da indústria de óleos comestíveis.
A indústria americana de óleos comestíveis patrocinou campanhas de “informação” para educar o público, os laticínios e a industria de gorduras animais foram ineptas para contradizer esta desinformação.  Como os Estados Unidos não produziam óleos de côco, palma e palmiste, não havia representantes destas indústrias para se defenderem.  As agências governamentais responsáveis peladisseminação destas informações ignoravam vozes solitárias de protestos e por volta da metade da década de 1980 a indústria alimentícia americana e os consumidores fizeram grandes mudanças substituindo as seguras gorduras saturadas pelos problemáticos óleos trans.
A AÇÃO DANOSA DO GRUPO ATIVISTA CSPI
Algumas indústrias de óleos americanas (especialmente aquelas vinculadas aAssociação Americana de Soja (ASA)) e alguns grupos ativistas entre eles oCentro para Ciência de Interesse Público (CSPI), e também a Associação Americana do Coração, (AHSA) denegriram ainda mais a fama das gorduras tropicais, quando patrocinaram uma grande campanha anti-óleos saturados no final dos anos 1980.
Na realidade, uma ativa campanha anti-óleos saturados havia começado 8 anos antes, em 1972, pela CSPI.  Em 1984, este grandiloquente grupo ativista começou outra forte campanha contra os óleos saturados, em particular contra as gorduras de fritura saturadas, usadas especialmente em lanchonetes de fast-food.  Muitos destes estabelecimentos usavam toucinho ou banha de porco, e pelo menos uma rede usava óleo de palma.
Então um folheto da CSPI em agosto de 1986 criticava o que denominava“Decepcionante Rotulagem de Óleos Vegetais Saturados: Gorduras Saturadas sem os Fatos,” referindo-se a “óleos de palma, de côco, e palmiste como “ricos em óleos saturados entupidores de artérias.”  A CSPI anunciou que tinha feito petição a FDA para esta não permitir a rotulagem de alimentos como tendo “100% matérias graxas vegetais” se eles contiverem qualquer tipo de óleos tropicais.  CSPI também solicitou a inclusão obrigatória do têrmo “gorduras saturadas” quando óleos de côco, palma ou palmiste fossem relacionados no rótulo.
Na mesma época que a CSPI estava conduzindo sua campanha em 1986, a Associação Americana da Soja iniciou sua campanha anti-óleos tropicais enviando cartas incendiárias aos fazendeiros de soja.  A ASA promoveu anúncios para promover um kit de combate aos óleos tropicais e foi contratada uma “nutricionista” de Washington para pesquisar supermercados e detectar a presença de óleos tropicais nos alimentos.
Em 1987, a ASA requereu ao FDA a rotulagem “Gorduras Tropicias” e no meio deste ano a revista Soybean Digest continuou uma ativa e crescente campanha contra os óleos tropicais.  Em 3 de junho de 1987, o jornal New York Times  publicou um editorial, “A Verdade sobre Óleos Vegetais” no qual chamava os óleos de palma, palmiste, e côco “óleos baratos, entupidores de artérias da Malásia e Indonésia” e reclamava diretrizes dietéticas contra estes óleos.
Em 1988, a CSPI publicou um folheto intitulado “O Ataque das Gorduras Saturadas”, que continha listas de alimentos industrializados “sobreviventes”, em supermercados de Washington. Estas listas continham informações sobre óleos saturados, nestes produtos. A Secão III, entitulada “Aqueles Incômodos ÓleosTropicais,” e continha incentivos para a rotulagem depreciativa destes produtos  Havia diversos erros de descrição da bioquímica das gorduras e óleos, e afirmações completamente errôneas sobre a composição de muitos produtos.
Em 1989, the ASA chamou uma entrevista coletiva com ajuda da CSPI em Washington, DC na tentativa de contestar entrevista coletiva dada pelo grupo defensor de óleo de palma, em 6 de março.  O “Alerta a Mídia” da ASA salientava que o Instituto Nacional do Coração, Sangue e Pulmão e o Conselho Nacional de Pesquisas “recomenda aos consumidores evitar óleo de palma, palmiste e côco”.  Poucos meses depois destas conferências o milionário Phil Sokolof, presidente da Associação Nacional do Coração (NHSA), comprou a primeira de uma série de anúncios anti-óleos tropicais, nos principais jornais americanos.  Em nenhum destes anúncios aparecia vínculo com Solokof (e a NHSA) ou a ASA, mas a CSPI aparecia como anunciante.
PESQUISAS CIENTÍFICAS SOBRE CORAÇÃO E ÓLEO DE CÕCO
As pesquisas realizadas nos últimas 4 décadas buscam responder a pergunta: O óleo de côco deve ser usado para prevenir e tratar doenças coronárias?
Algumas respostas de pesquisadores são apresentadas a seguir, baseadas em metanálises de vários relatórios de pesquisas.
Blackburn et al (1988) após revisarem a literatura sobre o efeito do óleo de côco no colesterol e na aterogênese concluíram que:
“…óleos de côco ingeridos em quantidades fisiológicas com outras gorduras ou suplementados adequadamente com ácido linoléico, são neutros em termos de aterogenicidade.”
Após revisar a mesma literatura, Kurup and Rajmohan (1995) conduziram um estudo de ingestão de óleo de côco em 64 voluntários e não acharam
“alteração estatisticamente significativa no colesterol sérico total, HDL, LDL , taxa HDL/Total colesterol e taxa LDL/HDL de triglicerides, em relação a grupos de controle…”
A adição de óleo de coco a dieta foi notada pelos pesquisadores, .Kaunitz and Dayrit (1992) revendo alguns dados epidemiológicos e experimentais relativos a alimentação com côco, e relataram que :
“Os estudos da população disponíveis mostram que a dieta com óleo de côco não eleva o colesterol, nem a elevadas taxas de mortalidade ou morbidade por doença coronariana.”
Em 1989 Mendis et al relataram indesejáveis mudanças no conteúdo lipídico quando jovens adultos do Sri Lanka mudaram sua dieta normal substituindo seu costumeiro óleo de côco por óleo de milho. Os resultados são apresentados na Tabela 1.
Embora o óleo de milho reduzisse o colesterol sérico total em 18.7% (de 179.6 to 146.0 mg/dl) e o LDL (Low Densidy Lipotrotein) foi reduzido 23.8% (de 131.6 to 100.3 mg/dl) , o HDL (High Densidy Liprotein), na dieta com óleo de milho caiu muito, 41.4%, (de 43.4 para 25.4 mg/dl, levando o HDL muito abaixo do limite aceitável de 35 mg/dl, e a relação LDL/HDL cresceu 30%, de 3.0 to 3.9.  Estas duas alterações são consideradas bastante indesejadas.
Tabela 1 – Medições de Lipoproteínas e Colesterol em Dois Tipos de Dietas – Mendis et al
Item
Dieta com óleo de côco
Dieta com óleo de milho
Colesterol total
179,6
146,0
HDL
43,4
25,4
LDL
131,6
100,3
A Tabela 2 apresenta a composição química do óleo de côco e de outros óleos tropicais.
Tabela 2 - COMPOSIÇÃO PERCENTUAL DE ÓLEOS TROPICAIS – Ácidos Graxos de Cadeia Curta e Média
ÁCIDO GRAXO SATURADO
AMENDOA DE MACAÚBA
AMENDOA DE PALMA(PALMISTE)
AMENDOA DO BABAÇU
CÕCO
Caprílico
6,2
2,7
6,8
7,8
Cáprico
5,3
7,0
6,3
8,3
Láurico
43,6
46,9
41,0
41,5
Mirístico
8,5
14,1
16,2
13,8
Palmítico
5,3
8,8
9,4
10,3
TOTAL %
68,9
80,8
83,1
81,5
Fontes: CETEC-MG, Akpan et al.
Mendis e Kumarasunderam (1990) também compararam o efeito do consumo de óleo de côco em rapazes com taxas normais de lipídios, e novamente o óleo de côco resultou no aumento do HDL, enquanto o óleo de soja reduziu o teor desta desejável lipoproteína.
Anteriormente, Prior et al (1981) haviam mostrado que populações nativas da Polinésia com elevada ingestão de óleo de côco :
“não apresentaram evidência de efeitos nocivos decorrentes deste alimento”.
Quando grupos destas populações emigraram para a Nova Zelandia, entretanto, e reduziram a ingestão do óleo de côco, o colesterol total e o LDL aumentaram, e o HDL reduziu.
Estudos que apresentavam efeito no aumento do colesterol decorrente da alimentação com óleo de coco, geralmente mostram apenas que o óleo de côco não reduz o colesterol total, em comparação com óleos insaturados que de fato o reduzem, como vimos na tabela 1.
I Hoje já se sabe que o colesterol total não é significativo. É importante lembrar que o colesterol não é uma gordura, mas um álcool transportado pelas lipoproteínas. e que o LDL, Lipoproteína de Baixa Densidade transporta o colesterol do fígado, onde é produzido para as células, e o HDL, retira o excesso de colesterol da corrente sanguinea e o leva ao fígado para ser armazenado. Pesquisas estatísticas tem demonstrado o contrário da crença tradicional: pessoas com baixo colesterol tem mortalidade maior que pessoas com maiores níveis de colesterol. Fatores de risco mais relevantes para doença coronariana são: estresse, tabagismo, diabetes, obesidade, sedentarismo e excesso de alimentos industrializados.
Felton et al analisaram quimicamente o ateroma e encontraram:
74% dos ácidos graxos dos ésteres de colesterol presentes no ateroma são insaturados;
41% do total de ácidos graxos são poliinsaturados e apenas 24% são saturados;
No ateroma não foram encontrados ácidos láurico ou mirístico.
As doenças coronarianas obstrutivas são iniciadas com a formação do ateroma. Pesquisas feitas nos últimos anos têm apresentado o virus herpes e o citomegalovirus como causadores da inflamação e recidiva das placas ateroscleróticas obstrutivas das artérias, após angioplastia. (New York Times 1991). É interessante notar que o herpes e citamegalovirus são inibidos pela monolaurina, o metabólito do ácido láurico, o principal componente do óleo de côco e de outros óleos de amêndoas de palmeiras. A monolaurina requer a ingestão de ácido láurico, um ácido graxo que não é produzido pelo corpo humano, sendo necessária uma fonte de ácido láurico na dieta.
Então, ironicamente, alguém poderá considerar que as recomendações americanas para evitar o óleo de côco e outros óleos láuricos como o óleo da amêndoa da macaúba, têm contribuído para o aumento da incidência de doenças coronarianas.
Chlamydia pneumoniae, uma bactéria gram-negativa, é outro dos microorganismos suspeitos de terem um papel na aterosclerose por provocar um processo inflamatório que resultaria na oxidação das lipoproteínas com indução de citoquinas e produção de enzimas proteolíticas, um fenômeno típico da aterosclerose (Saikku 1997).  Algumas bactérias patogênicas gram-negativascom um quelante apropriado são inativadas ou mortas pelo ácido láurico e pela monolaurina, assim como pelo ácido cáprico e pela monocaprina ( Bergsson et alii, 1997 and Thormar et alii, 1999).
Entretanto, o microorganismo mais frequentemente identificado como provável causador de infecções coronárias são da família do herpes e incluem o citomegalovirus type 2 herpes simplex (HSV-2), e Coxsackie B4 viíus.  As evidências apresentadas são fortes e variadas: Ellis 1997, Visseren et al 1997, Zhou et al 1996, Melnick et AL 1996, Epstein et al 1996, Chen & Yang 1995, Raza-Ahmad et al 1995.  Todos os membros da família do herpes são destruídos pelos ácidos graxos e monoglicérides de ácidos graxos de cadeias carbônicas C-6 a C-14 (Isaacs et al 1991), o que inclui aproximadamente 81,5% dos ácidos graxos do óleo de côco e 68,9% do óleo da amêndoa da macaúba.
A despeito de tudo que tem sido dito nas 4 últimas décadas sobre os “malefícios” dos óleos saturados nas doenças cardíacas, hoje eles são considerados inocentes, e benéficos.  Mais e mais pesquisas vinculam a ocorrência do ateroma a vírus, a produtos oxidantes ou a deficiência de nutrientes.
Uma proteção contra os produtos oxidantes são os anti-oxidantes naturais presentes nos óleos virgens, como já exaustivamente comprovado no azeite de oliva, e nos óleos saturados de côco, da amêndoa do palmiste e do babaçu, e da macaúba. Os óleos insaturados passam por vários processos industriais, eliminando ou reduzindo anti-oxidantes, fosfolipítios e vitaminas.
(Texto da Prof. Mary Enig, PHD, traduzido e adaptado por Francisco Oliveira)